Após o assinalável êxito com as peças de teatro levadas à cena na Fábrica Velha, durante os anos 20 e início da década seguinte, Afonso Diniz Vieira resolveu experimentar dar palco às ruas do Soutocico. Começou com a “A Revolução de 1640” e depois com “O Rapto do Filho de Lindberg” em 1936. Apesar do triunfo alcançado pretendeu ir mais além, mas a doença pulmonar que trouxe da guerra e que ciclicamente o limitava, cortou-lhe a iniciativa. Foi nessa altura que o seu fiel escudeiro surgiu para dar andamento a um novo projecto. Tudo começou numa visita a um primo seu das Cortes, que vivia em França e estava de férias em Portugal. O filho do primo era actor na Companhia “Théatre du Vieux Colombier”, de Jacques Copeau, especialista em Teatro Popular de Rua e estava a encenar uma farsa pagã, chamada “O Enterro do Bacalhau”, que complementava uma outra, “O Julgamento do Bacalhau”, já representada. José Cordeiro, amigo e braço direito de Diniz Vieira nas andanças teatrais, ficou entusiasmadíssimo com a ideia e pediu ao primo se lhe facultava os textos, que levou ao encenador para qualificar e traduzir. Tanto o “Julgamento” como o “Enterro” do Bacalhau consistiam numa tradição muito antiga, que remontava à Idade Média.
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