“Fuga por amor” é um romance escrito pelo nosso conterrâneo José António Faustino Matias, cujo enredo se desenrola à volta de uma família transmontana: pai, mãe e oito filhos (quatro rapazes e quatro raparigas). Descreve pormenorizadamente a geografia e a hidrografia de Trás-os-Montes, sobretudo as lindíssimas paisagens do Douro com as suas vinhas em socalcos, e a dura vida de quem vive da terra. A família protagonista da história mora numa dessas quintas, sendo os pais caseiros e o proprietário um latifundiário que vive em Lisboa e se desloca à aldeia apenas para encher o carro de vinho e de tudo o mais que a terra dá. O pai, o caseiro, tem por esta figura uma fidelidade ilimitada, o que o leva a abusar da própria família, sobretudo dos filhos, obrigando-os a trabalhar arduamente à frente dos trabalhadores contratados para que dessem o exemplo. Para além disso é uma figura autoritária, mesmo prepotente, conservador nos costumes, castigador (não hesita em bater nos filhos quando contestam as suas ordens), e que põe o seu bom nome, a sua reputação, e a sua imagem acima de tudo. A isto chama a sua honra.
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