Jaime Lopes da Silva, de 76 anos, casado, com dois filhos e cinco netos, assentou praça no Batalhão de Caçadores nº 6, de Castelo Branco, em 5/11/69, para cumprir a formalidade militar da recruta. Dois meses e meio volvidos soube que estava colocado no Regimento de Cavalaria nº 7, em Lisboa, apresentando-se assim para fazer a especialidade de atirador de cavalaria. Aí foi formado o Batalhão nº 2903, ficando ele destacado na companhia operacional nº 2652 e pronto para seguir rumo a Moçambique. Em 5 de janeiro de 1970 embarcou no navio “Império”, longe de imaginar o que o esperava. Em alto mar o barco começou a meter água na casa das máquinas, ao que se disse na altura fruto de um acto de sabotagem dos russos, que andavam por ali perto num submarino. Enquanto pediam socorro conseguiram drenar as fendas e manter o navio estável. Chegou em auxílio um rebocador que os levou até Cabo Verde. Ficaram ali a aguardar por um novo transporte, que chegou ao fim de alguns dias. Reembarcaram no Niassa, que os transportou à cidade da Beira (Moçambique), com paragem em Luanda durante dois dias. Na Beira apanharam o comboio em direcção à cidade de Tete, com passagem por Mutarara. Dias depois saíram em coluna militar passando por Moatize, tendo por destino Vila Gamito, que se situava a 40 quilómetros da fronteira com a Zâmbia e o Malawi.
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