Que prazer poder ver da minha varanda este lindo cenário, nesta noite cinzenta e fria. Por detrás da escuridão o piscar das imensas luzes de ornamentação nas casas engalanadas, pinheiros eletrificados… até a fachada principal da capela da minha aldeia, com centenas de lâmpadas e um reclame luminoso, bastante expressivo, com a inscrição “Feliz Natal”, anunciando a quadra festiva que se avizinha. Também da minha varanda vejo a casa do António Zarunza, agora em restauro, onde eu e os miudos da minha idade fazíamos os nossos presépios. Todas as noites nos reuníamos ali para rezarmos e cantarmos ao Menino Jesus, o Pai Natal ainda não existia, foi nas décadas de 1940 e 50. Seguidamente íamos de casa em casa pedir oferendas para o Menino que levávamos para a Igreja na noite de Natal e entregávamos ao padre Simão, então pároco da freguesia, para que dissesse missas por intenção das almas do purgatório.
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