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Notícias do Arrabal

O jornal da freguesia do Arrabal

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PoesiaAssinantes

Numa qualquer noite

Numa qualquer noite
de chumbo e solidão
ainda hei-de ouvir tua voz
sombria chamar por mim,
como quem suplica
um reencontro;
no pântano da hesitação,
até os mais tórridos
pensamentos, se calhar
ainda imberbes em
demasia, tendem a perceber
se o meu antigo desejo
se anicha na tua vontade;
mas a desilusão irrompe
como uma verdade que ruge,
e esmaga dilacerante
meu peito já tão cansado
de esperas e vozes baralhadas,
na bruma do entardecer;
na quietude do meu silêncio,
sempre difícl de cantar,
nem uma mera estrofe
se desprendeu sozinha,
para enfim, te afagar;
nos escombros fumegantes
do passado, nem uma réstia
de saudade ficou.

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