No dia 25 de Abril de 1974, faz agora 50 anos, tinha eu vinte e oito e vivia em Vila Franca de Xira. Nessa manhã, como nas outras, fui apanhar o comboio para Santa Apolónia, em Lisboa, de onde seguia a pé para a doca da Marinha e aí apanhava o barco para o Alfeite. Sim, era grumete na marinha. Como saí de casa muito cedo, não tinha ainda notícias sobre os acontecimentos recentes. É verdade que no comboio ouvi algumas conversas estranhas que não percebia, do tipo “será que os transportes públicos funcionam?”, “haverá porrada?”, “será que desta vez é a sério?”. Antes de chegar à Praça do Comércio no meu trajecto habitual e ver as chaimites não sabia o que se passava. Notícias mais actuais e mais sérias só as tive na base do Alfeite, onde fiquei retido durante três dias, de prevenção. No comboio, ao ouvir os comentários à minha volta só me ocorria que pudesse ser uma greve dos bancários, promovida pelo único sindicato organizado antes do 25 de Abril.
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