Como em muitas outras situações na vida, também o futebol feminino do Soutocico começou com uma brincadeira. Corria o ano de 1972 e aproximava-se o Carnaval. Um grupo de moças jovens, querendo que este fosse diferente, propôs a realização de um jogo de futebol entre solteiras e casadas, à semelhança do que regularmente era feito entre os homens. O passo seguinte, e o mais difícil, foi a constituição das equipas. Andou-se de casa em casa para angariar jogadoras, pelo que, em campo, se defrontaram mães e filhas, tias e sobrinhas, irmãs … O “estádio” era o do costume, o do Pinhal da Fernanda, em frente ao que é hoje o café Stadium. Já os equipamentos variavam, desde calças ou calções a saias, e até calças com saias. O jogo praticado, uma mistura de futebol com râguebi, já que tanto se jogava com o pé como se agarrava a bola com a mão e se corria até à baliza, não facilitou a vida à autora destas linhas, então no papel de árbitra, por ser a única que conhecia as regras. Como massagista estava o Ti Adelino, com o seu borracho de tinto como desinfetante e a padiola que serviria de maca, em caso de necessidade. Para a vasta assistência foi hilariante, para as participantes uma diversão, e para as mais novas um entusiasmo tal que surgiu logo ali a ideia de constituir uma equipa de futebol feminino no Soutocico, desta vez “à séria”.
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